Retrato de José Francisco das Neves

José Francisco das Neves

conhecido como Juquinha das Neves

Engenheiro eletricista · ex-presidente da CELG · deputado federal por Goiás (1999–2003) · ex-presidente da VALEC (2003–2011)

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Quem é

José Francisco das Neves, conhecido como Juquinha das Neves (Goiânia, 29 de janeiro de 1947), é engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de Goiás e gestor público com mais de quatro décadas de atuação no setor de infraestrutura e energia.

Ao longo da carreira dirigiu e presidiu a CELG (Companhia Energética de Goiás), foi deputado federal por Goiás na legislatura de 1999 a 2003 e presidiu a VALEC, estatal federal responsável pela construção da Ferrovia Norte-Sul, entre 2003 e 2011.

Carreira na CELG e a eletrificação rural de Goiás

Iniciou a carreira na CELG na década de 1970, companhia que dirigiu e presidiu em dois períodos (1987–1990 e 1994–1998). À frente da empresa, conduziu um amplo programa de eletrificação rural — divulgado à época sob o nome “Luz na Roça” — que ampliou o atendimento de energia elétrica no campo goiano.

O programa foi posteriormente avaliado pela Agência Japonesa de Cooperação Internacional (JICA), cujo relatório de avaliação registrou que as metas físicas do projeto foram cumpridas acima do planejado. O Japan Bank for International Cooperation (JBIC) listou a iniciativa entre as que contribuíram para a correção das disparidades regionais no país.

Em números, segundo a avaliação posterior da JICA e estudos acadêmicos, o projeto eletrificou cerca de 21,9 mil propriedades rurais em 167 municípios — acima da meta inicial —, com taxa interna de retorno financeira estimada pela JICA em 14,4%. Sob essa gestão, a CELG voltou a apresentar resultado positivo em 1997.

O apoio japonês concretizou-se no empréstimo BZ-P7 (State of Goiás Rural Electrification Project), do então Fundo de Cooperação Econômica Ultramarina (OECF), com contrato firmado em 1991 e conclusão em 1997.

O reconhecimento de sua atuação no setor elétrico foi registrado ainda na época: em 1987, foi convidado para ser patrono da turma de Engenharia Elétrica da UFG — a mesma escola em que se formara. Em 1994, a imprensa local noticiava que as homenagens ao dirigente eram “quase diárias” e que seu trabalho à frente da companhia era “reconhecido por todo o Estado”.

Câmara dos Deputados (1999–2003)

Eleito deputado federal por Goiás na eleição de 1998 — terceiro mais votado do estado, com 83.221 votos —, exerceu o mandato de 1º de fevereiro de 1999 a 1º de fevereiro de 2003, com atuação voltada a temas de infraestrutura, energia e desenvolvimento regional.

No exercício do mandato, apresentou 17 emendas individuais ao orçamento da União entre 2000 e 2003, somando cerca de R$ 7,5 milhões integralmente destinados a Goiás, com foco em eletrificação rural, saneamento básico e infraestrutura hídrica. As emendas de eletrificação rural de 2000 para os municípios de Mutunópolis, Luziânia, Nerópolis e Novo Gama tiveram execução integral — destinação coerente com sua atuação anterior no setor elétrico.

Atuou em temas de energia e infraestrutura e apresentou proposições legislativas, entre elas o PL 4884/2001 (vedação do uso de lã de vidro em telhas de fibrocimento, em defesa da saúde do trabalhador), o PL 4073/2001 (alteração na legislação da ANEEL) e as Propostas de Emenda à Constituição nº 490/2002 e 504/2002, sobre a contribuição para o custeio da iluminação pública.

Presidência da VALEC (2003–2011)

Entre 2003 e 2011 presidiu a VALEC, estatal federal responsável pela construção da Ferrovia Norte-Sul e de outras ferrovias de integração nacional — um dos maiores programas de expansão ferroviária do país no período.

Durante sua gestão, foram inaugurados, em cerimônias presididas pelo presidente da República, os trechos da Ferrovia Norte-Sul no Tocantins entre Aguiarnópolis e Araguaína (2007), Araguaína e Colinas do Tocantins (2008) e Colinas e Palmas/Porto Nacional (2010), além do início das obras do tramo central (rumo a Anápolis) e da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL).

A infraestrutura executada no período teve seu valor econômico reconhecido pelo mercado: em 2007, o trecho entre Açailândia (MA) e Porto Nacional (TO) — cerca de 720 km — foi subconcedido à iniciativa privada por R$ 1,478 bilhão. À época, a regularidade técnica e orçamentária do empreendimento foi reafirmada publicamente: em discurso oficial de 13 de agosto de 2009, o então presidente da República declarou que “o projeto está certo e o preço está certo”.

Em fevereiro de 2011, ao conceder-lhe a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Anhanguera, o governador de Goiás referiu-se a ele como “o grande responsável” pela Ferrovia Norte-Sul no estado.

Honrarias e títulos

  • Ordem do Mérito Anhanguera — a mais alta comenda do Estado de Goiás: grau de Grande-Oficial (2006) e promoção a Grã-Cruz (Decreto estadual nº 7.219, de 21 de fevereiro de 2011).
  • Medalha do Mérito Legislativo Pedro Ludovico Teixeira (1997).
  • Título de Cidadão Tocantinense (2007), por lei da Assembleia Legislativa do Tocantins.
  • Cidadão honorário de cerca de 150 municípios goianos — em 1997 a imprensa local já registrava seu 107º título de cidadania. Entre os títulos documentados estão os de Niquelândia (1988), Cachoeira Dourada e Ouvidor (1994), Inhumas (1997) e Águas Lindas de Goiás (1998).

Situação judicial

No contexto das investigações sobre obras da Ferrovia Norte-Sul, iniciadas em 2012, José Francisco das Neves respondeu a processos cujos desfechos, de registro público, foram-lhe favoráveis:

Em síntese: as acusações não se confirmaram perante o Poder Judiciário, e a reversão da condenação penal é definitiva (transitada em julgado em 2024).

Na imprensa (2026)

Decisões recentes da Justiça Federal em Goiás, relacionadas a ações de improbidade administrativa em torno das obras da Ferrovia Norte-Sul, foram noticiadas pelo Consultor Jurídico (ConJur), um dos principais veículos jurídicos do país:

Fontes e perfis

Vídeos

Conheça a trajetória de José Francisco das Neves (Juquinha das Neves) no canal oficial no YouTube.